segunda-feira, 26 de março de 2007

O grande português

Hoje o dia começou estranho. Havia um ambiente anormal. Um tempo que "nem f... nem sai de cima" ou seja: nem chove nem faz sol. Uma pequena neblina no ar. Lembrei-me do "Grande Português" e que se calhar, muito remotamente, tinha ganho o D. Sebastião e lá ia ele regressar, numa manhã de nevoeiro... Mas espera lá (disse eu) ele nem sequer era finalista; e da última vez que liguei a TV - independentemente do canal - já se sabia quem iria ganhar. E ganhou. Não vou dizer que estou espantado com o facto de ele ter ganho, pois já se sabia há algum tempo dessa (grande) possibilidade, mas sim pelas razões que terão levado pessoas, no seu perfeito juízo(?), a votar em Salazar.

Hoje, seria complicado para mim explicar ao meu falecido Avô (sim com A grande) Albino o porquê de a maioria dos portugueses (que votou) ter elegido Salazar para o maior português de sempre. Explicar porque é que pessoas, na maioria da minha faixa etária, quiseram votar num personagem que por tantas privações e medos o fez passar, que condicionou a vida de milhões de pessoas em troco de um sonho sem graça, imaginação ou cultura.

Para mim nunca seria essa a escolha, ouvi demasiadas histórias desses tempos , contadas na primeira pessoa pelo meu Avô, para poder em consciência (ou com falta dela) votar em alguém assim. Talvez o problema tenha sido esse, não terem tido um Avô como o meu, que tudo sacrificou (sobretudo a sua saúde) para o bem da família, que arriscou fugir de Portugal para França, e até aí teve azar e teve de regressar com ainda menos do que quando partiu. Mas nunca desistiu, sempre lutou e se hoje a nossa família tem uma vida boa, muito se deve a ele e ao exemplo que ele nos deixou.

Por isso, e se dependesse de mim, o grande português não seria o "meu" Avô, mas os avós de todos nós que juntos fizeram com que Portugal, apesar de das coisas más, fosse evoluindo e seja hoje - e apesar de tudo - um cantinho bom de se viver.



PS: Para os mais desatentos, os netos do Salazar não estão incluídos. Não que seja discriminação, mas pelo simples facto de (felizmente) não haver descendentes daquela raça (os chamados "filhos de um cab...").

1 comentário:

LFM disse...

Para quem não tinha a certeza, ficou comprovada uma vez mais que o povo português não sabe votar. Sempre que vota, mistura tudo e confunde o resto. Não sabe formular perguntas ou responde indirectamente.

Basta pensar um pouco (um pouquinho só) e facilmente podemos constatar que sempre que há eleições, a maior parte vota para passar ‘cartões vermelhos’ ou para um determinado partido ou candidato não ganhar.
Esta é a forma negativa e destruidora como o português encara a democracia.